O carnaval do falso herói

Publicado em 16 de Fevereiro de 2026

Se o Carnaval é a arte da ilusão, não haveria palco mais apropriado para o enredo que Lula tenta vender ao mundo. Enquanto a avenida brilha com luzes pagas pelo seu imposto, o que se vê não é uma homenagem espontânea a um presidente. O encômio prestado a Lula pela Acadêmicos de Niterói é mais uma peça de marketing caríssima para tentar reescrever o passado, esconder o presente e, quem sabe, manipular mais uma vez o futuro.

A fantasia de “herói do povo” é o figurino favorito de quem aprendeu, ainda nos tempos de sindicato, que o grito no palanque serve para esconder o brinde de whisky com os donos do PIB nos bastidores. O líder que posa de eterno operário e homem do povo é o mesmo que, entre quatro paredes, selava acordos que garantiam o lucro dos poderosos enquanto o verdadeiro trabalhador acreditava que ele brigava por seus direitos.

A narrativa na Sapucaí ignora uma das maiores contribuições do falso herói para a história do Brasil: foi com Lula no poder que o Brasil conheceu a institucionalização da propina. Claro que o samba-enredo deixou de fora o Mensalão, que transformou o voto do parlamentar em mercadoria; deixou de fora o Petrolão, o maior assalto aos cofres públicos já registrado, que drenou bilhões da Petrobras para alimentar um projeto de poder eterno.

Foi assim que o “perseguido político” da propaganda se tornou o primeiro presidente a ir para a cadeia por corrupção sistêmica. E assim como nos anos 80, desfrutou de uma cela que nenhum brasileiro comum jamais verá — uma mordomia que prova que, para o topo da pirâmide, até a punição tem sabor de privilégio.

Enquanto o mestre-sala gira, ficam de fora os movimentos de pessoas próximas ao homenageado. O enredo omite o irmão que bateu à porta do ministério da Previdência para “aliviar” as regras que protegiam o dinheiro dos aposentados, abrindo caminho para o assalto bilionário ao bolso de milhões de aposentados e pensionistas. Omite o filho que, segundo um depoente, recebeu R$ 25 milhões e mais uma mesada de 300 mil reais dos chefes da quadrilha. O enredo não menciona a política tratada como negócio de família, onde o sobrenome vale ouro e a ética é um detalhe descartável.

O “pai dos pobres” da avenida é o maior abre-alas que os bancos já tiveram.  Com ele à frente, os bancos bateram recordes de lucros, provando que o discurso de justiça social é apenas um samba atravessado de uma realidade onde o pobre se endivida e o banqueiro faz a festa. E a conta final dessa festa não cabe em nenhum carro alegórico: o desfile de Lula como presidente da república levou o Brasil a uma dívida pública de R$ 10 trilhões – que as atuais e as futuras gerações terão que pagar – é um número que o enredo não mostra e o marketing tenta esconder,

Não há alegoria que mostre que o herói pintado de guardião da democracia defende ditadores sanguinários. A verdade é que a fantasia faz parte da essência dele; a vida pública de Lula é um desfile permanente das aparências. O grande problema é que quando a quarta-feira de cinzas chegar e o som da bateria calar, o brasileiro perceberá que a festa de Lula sempre foi financiada com o seu suor, a homenagem foi comprada com o seu dinheiro e o “herói” que acenava do alto de um camarote é o mesmo que deixou a conta para quem ficou só assistindo da arquibancada. No fim, o que sobra não é a alegria, é a ressaca de um país que foi enganado pela fantasia do falso herói.

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