
Publicado em 08 de Fevereiro de 2026
O Brasil costuma explicar sua dificuldade em atrair investimentos com diagnósticos equivocados. Fala-se em imagem internacional, em falta de marketing ou em ruído político passageiro. O problema, porém, é mais estrutural do que isso. O país impõe um custo alto demais a quem pretende produzir, investir e permanecer aqui. Nenhuma economia se transforma em potência de investimento sem enfrentar três questões centrais: logística eficiente, energia competitiva e previsibilidade institucional. Ignorar esse tripé é insistir em explicações superficiais para um problema de base.
Infraestrutura não deve ser tratada como obra pública tradicional, mas como instrumento econômico. O chamado “Custo Brasil” nasce da fragmentação territorial, da dependência excessiva do modal rodoviário e da baixa integração entre regiões produtivas. Grandes economias entenderam cedo que ferrovias e hidrovias não são escolhas ideológicas; são meios objetivos de reduzir custo e risco logístico. Quando bem planejada, a infraestrutura amplia escala, corta ineficiências e abre caminho real para a alocação de capital de longo prazo, sobretudo em setores intensivos em produção e exportação. Para o investidor, uma malha logística funcional é tão decisiva quanto qualquer incentivo fiscal, e consideravelmente mais duradoura.
O custo da energia exerce papel semelhante. Energia cara pressiona toda a cadeia produtiva e corrói competitividade onde quer que se olhe. Indústria, agro e serviços operam sob o mesmo peso, com impacto direto sobre preços, margens e decisões de investimento. Países que atraem capital consistente tratam energia como variável estratégica, não como fonte de arrecadação disfarçada. A racionalização de encargos, a estabilidade regulatória e a previsibilidade de preços funcionam, na prática, como a melhor política industrial que um governo pode adotar, sem precisar escolher vencedor nenhum. Energia a preço competitivo é premissa para qualquer cálculo econômico sério, não diferencial de setor nenhum.
Esses dois fatores, porém, perdem eficácia num ambiente institucional instável. O que afasta capital não é o tamanho do Estado, é a forma como ele se comporta. Insegurança jurídica, excesso de burocracia e mudanças arbitrárias de regras elevam o risco percebido e espantam investimento produtivo. Investimento de longo prazo exige horizonte claro, estabilidade normativa e respeito contínuo às regras estabelecidas. Um Estado funcional garante contratos, reduz incertezas e oferece o mínimo de estabilidade que qualquer planejamento econômico exige. O problema nunca foi a presença do Estado na economia; a sua incapacidade de agir com previsibilidade justamente onde ela mais importa.
Tratar esses três eixos como agendas separadas compromete qualquer resultado. Boa logística com energia cara rende pouco. Energia barata sem segurança jurídica não segura investimento por muito tempo. E um aparato estatal bem organizado, sem base produtiva por baixo, é só burocracia girando em falso. Investimento de verdade responde a condições concretas, não a promessas ou pacotes de boa intenção.
Capital decide com base em custo, risco e regra clara. O Brasil não precisa convencer o mundo de nada. Precisa remover os obstáculos que ele mesmo criou para quem quer investir aqui.