
Publicado em 25 de Janeiro de 2026
O famoso “rodízio de faltas” do futebol — aquela tática em que os adversários se revezam para cometer infrações calculadas, evitando cartões vermelhos e mantendo o time em campo — encontrou terreno fértil na política brasileira.
A pseudo-direita, especialmente alas do Centrão e aliados oportunistas, aplica a estratégia desde que Jair foi inviabilizado como candidato. Críticas veladas, declarações “equilibradas” em off e análises cujo único objetivo é tirar o sobrenome Bolsonaro do jogo: “queremos os votos do Bolsonaro, mas sem o Bolsonaro”. Tarcísio de Freitas, governador de São Paulo, virou o sonho dourado do establishment: conversa de gestor eficiente, imagem limpa, capaz de unir a direita sem espantar o mercado ou o sistema.
Durante 2025, a narrativa se repetiu: “Bolsonaro anuncia em setembro”, “em outubro”, “em novembro”… O principal porta-voz foi Ciro Nogueira, que sonhava com a vaga de vice de Tarcísio. Foram tantas “faltinhas” acumuladas que ele se viu obrigado a mudar de lugar no campo e sumir dos holofotes.
No Natal de 2025, o ex-presidente acabou com o suspense. Em carta de próprio punho, enquanto se preparava para mais uma cirurgia, Jair formalizou o senador Flávio Bolsonaro como seu escolhido. Decisão cristalina, bola no chão.
Mas o rodízio não parou. A primeira grande falta do ano veio exatamente de quem era vendido como o “escolhido”: Tarcísio. Chamado pelo ex-presidente, agendou uma visita, mas, ao farejar que o encontro poderia incluir pressão por posicionamento firme em apoio a Flávio, desmarcou com a desculpa frágil de agenda. A reação foi imediata: aliados bolsonaristas expuseram a manobra, e o governador precisou correr atrás com declarações genéricas de apoio. Ingratidão? Cálculo frio? Ambos. O gesto expôsmais uma vez o jogo: proximidade com Bolsonaro quando conveniente, distância quando não agrada à estratégia.
Agora, quem entrou no jogo foi Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos — o partido de Tarcísio. Em um evento, Pereira foi explícito: o apoio da direita a Flávio “não está definido” e “está dividido”. Defendeu Tarcísio como o nome que “consegue unir a direita” e, para completar, chamou Eduardo Bolsonaro de “arrogante” ao rebater falas do deputado sobre unidade em torno da escolha de Jair. Será que ele achou que tinha alguma autoridade para falar sobre o que é bom para a direita? O Republicanos integra a base de apoio ao governo Lula – o fisiologismo de sempre – e tem lealdade zero ao bolsonarismo que os elegeu em 2018, com Mourão como vice de Jair, e em 2022, com o próprio Tarcísio.
Esse revezamento é estratégico: evitar confronto direto com o maior líder popular da direita, mesmo preso — enquanto corrói sua autoridade para definir o rumo do movimento. Cada “falta” é dosada: crítica “técnica”, elogio ao “centro”, menção a outros nomes. Tudo para acumular desgaste e plantar fragmentação.
O Centrão sonha com um candidato palatável ao sistema: menos ideológico, disposto a concessões em nome da “governabilidade”. A direita autêntica resiste ao lawfare, ao autoritarismo judicial e ao establishment. Sabe que o nome Bolsonaro é o único antídoto comprovado ao lulopetismo nas urnas. Faltas disfarçadas de “equilíbrio” não enganam mais. O capitão escolheu Flávio. Ponto final. Quem insistir no rodízio que se prepare: o cartão vermelho virá nas urnas de 2026.