
Publicado em 24 de Janeiro de 2026
A democracia liberal neoiluminista, fruto de um novo conceito de civilização divorciado da consciência histórica ocidental e imposto após o caos da Primeira Guerra Mundial, é a estrutura institucional de governança mais frágil, burocrática e centralizadora de decisões que a humanidade já viu.
Opiniões fundamentadas em valores civilizacionais cristãos, a popularidade de líderes políticos contrários à agenda de financeirização da economia, fronteiras abertas e controle burocrático da vida cotidiana — em síntese: contrários à agenda de sociedade aberta — são acusadas de causar o retorno do nazismo, do fascismo ou de qualquer projeto de massacre estatal análogo.
A grande mídia ligada aos oligopólios corporativos, sob a batuta de think tanks globalistas, trata a democracia liberal como ápice da civilidade humana, causa do bem-estar terrestre e absoluto frágil. A democracia liberal neoiluminista é o liame frágil que pode levar a humanidade ao bem universal, mas pode ser pervertida por populistas e destruída por opiniões de senso comum.
A solução para preservar esse absoluto frágil é reprimir as opiniões do senso comum utilizando um aparato de mídia de alcance global, perseguir cristãos e suas manifestações culturais por meio da burocratização da vida cotidiana e do uso de polícias de pensamento. É uma democracia contramajoritária, que busca uma unidade opressiva e controladora, com um bem invisível aos olhos de quem não foi iluminado pela verdade do iluminismo laico, racionalista e científico.
Essa democracia, a cada circunstância adversa, demanda mais e mais centralização de poder; exige do povo que entregue cada vez mais recursos e renuncie a mais direitos diante da elite dominante.
Essa democracia é a única forma de garantir a manutenção de outras duas manifestações do bem: o livre mercado e o Estado burocrático de direito, que, juntos, impedem a ascensão de fascismos, nazismos e de todos os outros males que a humanidade já enfrentou.
O sentido da democracia, quando foi teorizada e posta em prática na Grécia, visava a uma distribuição de encargos e meios de ação para que a pólis não fosse tomada de assalto por um tirano estrangeiro ou por uma família rival do atual governante. A democracia nasce do fortalecimento dos cidadãos livres da pólis, visando a um equilíbrio de poderes para que fosse possível gerar certa estabilidade política.
Já a democracia iluminista e contramajoritária visa à estabilidade por meio da garantia do livre mercado e de instituições democráticas. A democracia, em seu sentido original — que até hoje influencia o senso comum —, é uma busca por estabilidade através da justiça e do fortalecimento do povo; mas, segundo o conceito neoiluminista de democracia, a população é uma das recorrentes ameaças à própria democracia.
Sem o verniz propagandístico, fica visível que a democracia liberal é o regime dos “banksters” — combinação de banker e gangster, termo pejorativo utilizado durante a Grande Depressão nos EUA —, pois é centrada nas instituições que podem promover o livre mercado e vê a promoção desse livre mercado como finalidade dessas instituições.
No fim das contas, essa democracia dos “banksters” não tem qualquer compromisso com a ordem social ou política, muito menos com a prosperidade ou o bem da população. É apenas um regime em que o poder econômico pode comprar ou se sobrepor ao poder político.