
Por: Lorenzo Carrasco e Geraldo Luís Lino – Publicado em 17 de Janeiro de 2026
O empenho do presidente Donald Trump em sua oposição permanente ao “globalismo” está por trás da Ordem Executiva 14.199, que determinou a retirada do país de 66 organizações internacionais vinculadas àquela estrutura de governança global, inclusive muitas ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU). Várias delas integram a estrutura das agendas ambientalista e identitária, que têm na ONU a sua principal caixa de ressonância.
O título da ordem executiva especifica: “Retirando os Estados Unidos de Organizações Internacionais, Convenções e Tratados que são Contrários aos Interesses dos Estados Unidos.”
Entre as entidades atingidas pela medida, destacam-se o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e a Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC), duas peças-chave da agenda da “descarbonização” da economia mundial, além da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), uma das ONGs que integram o “Estado-Maior” do ambientalismo internacional.
Desde a década de 1990, o IPCC tem sido um dos principais articuladores de uma cobertura “científica” para a falaciosa tese das mudanças climáticas induzidas pelas atividades humanas. A UNFCCC se encarrega de mobilizar o esforço diplomático para os necessários acordos internacionais de restrição do uso de combustíveis fósseis, discutidos nas Conferências das Partes (COPs), realizadas anualmente desde 1996.
A Ordem Executiva representa um duro golpe para o financiamento de tais entidades, das quais os EUA costumam despontar entre os principais financiadores. No caso do IPCC, na década passada, as contribuições dos EUA chegaram a atingir 40-45% do orçamento do órgão.
A Agência Internacional de Energia (AIE) foi poupada da razia, mas uma ameaça semelhante do governo Trump fez com que a agência, antes uma das principais propagandistas da “descarbonização”, reorientasse os seus estudos em relação ao setor energético sobre bases mais realistas, enfocando a necessidade de novos investimentos no setor de hidrocarbonetos, para manter os níveis de produção atuais ao longo da próxima década.
Entre as entidades integrantes da lista, além das já citadas, destacam-se as seguintes:
– Pacto de Energia Livre de Carbono 24/7;
– Comissão para Cooperação Ambiental;
– Instituto Interamericano para Pesquisa de Mudanças Globais;
– Fórum Intergovernamental sobre Mineração, Minerais Metais e Desenvolvimento Sustentável;
– Plataforma Intergovernamental Ciência-Política sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos;
– Fórum Internacional de Energia;
– Agência Internacional de Energia Renovável;
– Aliança Solar Internacional;
– Organização Internacional de Madeiras Tropicais;
– Rede de Política Energética Renovável para o Século 21;
– Secretariado do Programa Ambiental Regional do Pacífico;
– Programa Colaborativo das Nações Unidas sobre a Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação Florestal em Países em Desenvolvimento;
– Energia Nações Unidas;
– Entidade das Nações Unidas para Igualdade de Gênero e Empoderamento de Mulheres;
– Nações Unidas Oceanos;
– Fundo de População das Nações Unidas;
– Nações Unidas Água;
– Universidade das Nações Unidas.
Em uma declaração, o secretário de Estado Marco Rubio justificou a medida:
“O governo Trump estabeleceu que essas instituições são redundantes em seu escopo, mal administradas, desnecessárias, perdulárias, precariamente dirigidas, capturadas pelos interesses de atores que promovem as suas próprias agendas, contrárias às nossas, ou uma ameaça à soberania, às liberdades e à prosperidade geral da nossa nação.”
Sem dúvida, o mesmo se aplica a todos os demais países que sustentam tais agendas, lamentavelmente, ainda dominados pelos promotores das mesmas.