Uma estranha nota de rodapé

Publicado em 23 de Outubro de 2026

Um partido político não é uma agremiação humana comum, não é um grupo como qualquer outro. Não é um grupo de discussão de ideias, um clube do livro ou um núcleo universitário.

Partidos políticos têm agendas para chegar ao poder, agendas para aplicar ao chegar ao poder, além de amigos e inimigos públicos.

Por isso, conhecer como e por quem foi fundado, e com quais objetivos e agendas, é essencial para prever e compreender as ações de um partido político. 

O Partido dos Trabalhadores (PT) foi fundado oficialmente em 10 de fevereiro de 1980, e suas bases ideológicas e formadoras vieram de três grandes movimentos nacionais: o “novo sindicalismo” (liderado por operários do ABC paulista, como Lula), setores progressistas da Igreja Católica (Comunidades Eclesiais de Base ligadas à Teologia da Libertação) e diversos grupos de intelectuais e exilados políticos que buscavam uma alternativa ao MDB na oposição à ditadura militar.

Nos anos noventa, o PT, na figura de Lula, junto com Fidel Castro, convocou dezenas de partidos para fundar o Foro de SP, que se tornaria posteriormente o fórum ou grupo político mais influente da América Latina.

Mas os propósitos do Foro de SP e suas relações com a guerrilha dos grupos narcoterroristas da América Latina nunca foram bem explicados, tanto pelo PT como pela grande mídia, que cobre a política nacional e deveria ter um diagnóstico sobre a instituição que foi fundada pelo partido de esquerda mais influente da história recente do Brasil.

Esses fatos cronologicamente expostos jamais foram investigados profundamente, nem tiveram suas conexões comprovadas ou desmentidas — na verdade expostos na grande mídia, para pouco tempo depois voltar a ser mera nota de rodapé na história nacional — seja pela oposição, seja pelo próprio PT:

7 de dezembro de 2001: o Foro de São Paulo, coordenação do movimento comunista latino-americano, sob a presidência do sr. Luís Inácio Lula da Silva, lança um manifesto de apoio incondicional às Farc, no qual classifica como “terrorismo de Estado” as ações militares do governo colombiano contra a organização.

17 de outubro de 2002: o PT, por meio do assessor para assuntos internacionais da campanha eleitoral de Lula, Giancarlo Summa, afirma em nota oficial que o partido nada tem a ver com as Farc e que o Foro de São Paulo é apenas “um foro de debates, e não uma estrutura de coordenação política internacional”.

1º de março de 2003: o governo petista recusa-se a classificar as Farc como terroristas, conforme solicitava o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe.

15 de março de 2005: estoura o escândalo dos cinco milhões de dólares das Farc, que um agente dessa organização, o falso padre Olivério Medina, afirma ter trazido para a campanha eleitoral do sr. Luís Inácio Lula da Silva. O assunto é investigado superficialmente e logo desaparece do noticiário.

12 de fevereiro de 2007: as Farc fazem os maiores elogios ao PT por ter salvo da extinção o movimento comunista latino-americano por meio da fundação do Foro de São Paulo.   A relação do PT com o Foro de SP nunca foi esclarecida, seja por meio de denúncias da oposição, seja por explicações convincentes do próprio PT.

Coincidentemente, o aumento vertiginoso da criminalidade, o desarmamento civil e o domínio territorial do tráfico sobre faixas territoriais extensas são fatos recentes e ocorreram com o Brasil sendo governado pelo PT.

Enquanto não forem esclarecidas as relações de Lula e do PT com o Foro de SP e as guerrilhas latino-americanas, dificilmente se compreenderão, de forma cristalina, a motivação e os objetivos das ações políticas do PT.

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