A hora de entender o que o país pede

Publicado em 06 de Outubro de 2026

O primeiro turno encerrou o domingo com um resultado emocionante para a direita, capitaneada por Flávio Bolsonaro, que assumiu a liderança com 56 milhões de votos, equivalentes a 47% dos votos válidos, superando os 45%, de Lula. Pelos dados do TSE, a vantagem a favor do senador chegou a 2,3 milhões de votos, em um pleito com abstenção de 20,8%, estável em relação a 2022. As urnas confirmaram uma guinada em 714 cidades que antes votavam no projeto petista e agora abraçaram essa nova ideia de futuro.

Essa virada representa um grande significado. O voto que garantiu a dianteira floresceu longe das áreas nobres das capitais, ganhando força em cidades como Osasco, Betim e Cotia, comumente votantes à esquerda. Pelos dados do IBGE, a classe C assegurou uma goleada de 53% a 37% a favor da direita. Esse contingente que acorda cedo e trabalha, cansou do peso dos impostos sobre o consumo diário e decidiu apostar no próprio esforço. Flávio Bolsonaro captou essa garra popular ao valorizar o pequeno comerciante e o empreendedor, que exigem liberdade para produzir sem o peso da burocracia estatal.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, do IBGE, indicou que mais de 4 milhões dos votos novos do candidato vieram de lares católicos, apesar da fake news sobre Nossa Senhora Aparecida plantada e criada pelo PT. Por conta dessas desinformações e ruídos, Flávio comprou atritos com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – um tropeço que destoa da habilidade que o senador tem e precisa ter. É importante ter na memória a eleição para a Assembleia Nacional Constituinte de 1933, forte no interior do país, quando a Liga Eleitoral Católica (LEC) impôs perdas duras aos candidatos que, naquela época, afrontavam os bispos. Disputas acaloradas animam as redes sociais, mas Flávio precisa de maturidade para estender a mão e preservar esse eleitorado que fez a diferença nessa hora crítica.

A matemática do segundo turno é amplamente favorável e pede um intuito agregador. Faltam apenas três pontos para a vitória, e o caminho natural é acolher os 5,6 milhões de eleitores que apoiaram Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema. Essa turma joga, de maneiras distintas, no mesmo campo que o bolsonarismo: defende a responsabilidade nas contas e quer destravar a economia. Flávio tem a simpatia de algumas dessas lideranças para costurar uma aliança vitoriosa, logo, o passo seguinte é motivar os 33 milhões de cidadãos que se abstiveram, pensando e apresentando soluções para os males que mais doem no dia a dia do cidadão – as filas nos postos de saúde, o crédito e o alívio imediato no custo de vida.

Cabe a Flávio Bolsonaro assumir o papel de pacificador da nação num momento de tanta turbulência – já que o outro lado prefere colocar mais lenha na fogueira – e conduzir essa onda de renovação com serenidade. O senador tem o dever de manter o sangue frio, consolidar a aliança com as forças produtivas de centro e valorizar as famílias. Desperdiçar esse momento histórico com polêmicas estéreis custaria a chance de ouro de transformar o país. A vitória já está madura nas urnas, Flávio só precisa estender a mão ao Brasil.

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