
Publicado em 1º de Setembro de 2026
Tão interessante quanto a luta contra o rebaixamento de alguns times pouco tradicionais do futebol brasileiro é a briga para saber qual partido e candidato à presidência se consolidará como a “terceira via”.
No fim das contas, a dinâmica é muito semelhante, pois nenhum dos candidatos têm chances reais de vencer, nenhum deles consegue compor maioria no Parlamento; estão em busca de aumentar sua bancada para garantir fundo eleitoral, tempo de TV e demais recursos para a próxima eleição, tal qual os times da parte de baixo da tabela que não são candidatos a vagas na Libertadores e estão longe de vencer o campeonato.
Candidatos sinalizadores de virtude que posam como solução para a polarização entre bolsonarismo e petismo, como resolvedores de problemas da nação, são, na verdade, vendedores de sonhos que estão se alimentando da desilusão e da desesperança de alguns brasileiros para avançar com agendas partidárias e alcançar outras finalidades mesquinhas — na melhor das hipóteses, são inocentes úteis ao PT que não enxergam o nível de destruição que esse partido promoveu.
O Brasil está se esfacelando economicamente, com o poder de compra sendo destruído e um ambiente a cada dia mais inóspito para a produção e a geração de empregos; isso não é a causa geral da crise nacional, mas um de seus perniciosos efeitos.
Hoje, o empresariado é retratado em expressões culturais como explorador; pequenos negócios não têm meios para sobreviver com o peso dos impostos – tributos que financiam perseguição, extorsão e censura.
Na academia e no debate público, não existem defensores ou debatedores interessados em fazer do Brasil uma nação rica.
Pouco importa a sobrevivência da classe produtiva ou mesmo a possibilidade de reconstruí-la no espaço nacional; o debate econômico — principalmente na mídia tradicional, que tem porta-vozes do establishment oligárquico em vez de articulistas que emitem opinião — gira em torno do ajuste fiscal, da taxa de juros e dos demais predicados das contas públicas.
A falta de representantes no debate público — sejam representantes políticos no jogo partidário, sejam vozes na mídia nacional — é um eloquente prelúdio à destruição completa da classe produtiva na política nacional.
Assiste-se à expulsão pública de companhias multinacionais e a recuperações judiciais em massa que atingem de varejistas a empresas do setor produtivo.
E todas essas fraturas vêm ainda acompanhadas de estrangulamento fiscal crescente, da progressiva criminalização da produção e do lucro na esfera judicial, da rápida fusão de Estado e Partido, além da lumpemproletarização geral da população brasileira.
Nada mais natural que os adeptos e beneficiados por essa degradação social crescente estejam unidos e articulados para garantir a manutenção de seu poder, e que os insatisfeitos e injustiçados busquem unir forças ou agregar-se em torno de quem tem disposição e possibilidade de combater essa degradação.
Eis a tal polarização: aqueles que perceberam que Bolsonaro era a primeira oposição real ao PT desde a redemocratização veem nele um aliado diante de uma guerra existencial, e os petistas lutam pela manutenção do regime.
Mas os que lutam para ultrapassar a margem de erro precisam ignorar essa dinâmica, deslegitimando a reação diante do PT ou tratando o processo de destruição do Brasil como elemento inofensivo, que não merece a indignação de gente muito iluminada e bem-educada como elas.