Eles Estão Recuando Para Se REORGANIZAR | GEOECONOMIA - Ep. 109

O modelo de privatizações vendido por décadas como sinônimo de eficiência começa a mostrar suas rachaduras. No Reino Unido, monopólios de infraestrutura caminham para situações de grave fragilidade financeira depois de anos em que a distribuição de dividendos e a engenharia financeira avançaram mais rápido do que os investimentos necessários para sustentar serviços estratégicos. O resultado expõe um problema maior: quando a lógica rentista domina setores essenciais, a promessa de eficiência pode dar lugar à deterioração da capacidade produtiva e à perda de resiliência nacional.

Enquanto isso, a Ásia avança em outra direção. A criação da Danantara, na Indonésia, e a experiência consolidada da Temasek, em Singapura, apontam para o fortalecimento de um novo paradigma: o “Estado Acionista”, no qual o poder público atua como investidor estratégico de longo prazo, buscando combinar eficiência empresarial, soberania e desenvolvimento nacional. Ao mesmo tempo, o Ocidente vive um duro realinhamento político. Pressionado pelo crescimento de forças soberanistas, parte do establishment liberal aproxima-se de setores da esquerda radical, enquanto tribunais, regulações e agendas climáticas ganham peso crescente como instrumentos de disputa econômica e institucional. O que está em jogo não é apenas a divisão entre Estado e mercado, mas quem controla o capital, a infraestrutura e as decisões estratégicas que definirão as próximas décadas.

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