O Governo Quer SEU PIX? | A Armadilha do Split Payment

O split payment virou o novo fantasma da reforma tributária: vídeo viral dizendo que o comerciante vende por 100 e recebe 70, cards falando em “28% de imposto”, “170 vezes maior que o PIX”, “R$ 2 bilhões” e tutoriais prometendo ensinar como sobreviver ao sistema. Mas o que está no papel é mais complicado e mais perigoso do que o pânico fácil das redes: o mecanismo ainda tem uso facultativo no início, a alíquota caminha para algo perto de 28%, a transição convive com impostos antigos até 2033 e a burocracia promete cair justamente no colo de quem tem menos caixa, menos contador e menos margem.

E enquanto empresas se preparam para pagar adaptação, bancos discutem receber por operação, o orçamento bilionário do comitê não menciona “split payment”, o prazo decisivo escapa para depois da eleição e a promessa de combater sonegação vem acompanhada de uma pergunta incômoda: por que o Estado brasileiro consegue criar uma engenharia tecnológica gigantesca para arrecadar imposto, mas nunca mostra a mesma eficiência na fila do hospital, na segurança pública ou no serviço que chega ao cidadão?

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