Viciados em perder

Publicado em 14 de Maio de 2026

Flávio Bolsonaro e as lideranças políticas do bolsonarismo tentaram, até o momento, cultivar uma boa relação com a direita liberal, que tem seu histórico de oposição ao petismo. O eleitor comum e o militante virtual, mais engajados com a pauta do dia e menos atualizados sobre discussões intelectuais, podem ver nos liberais um aliado contra o petismo ou mesmo uma parte do movimento de oposição com o qual se deve fazer relativo esforço para manter a união. O coro entoado por “união da direita” claramente vem desse sentimento de que os liberais são uma espécie de movimento aliado, um braço no combate ao petismo. Mas parece que há uma tentativa por parte dos liberais de monopolizar a oposição.

E esse monopólio da oposição por parte dos liberais parece indicar um anseio para o retorno à “normalidade política nacional”, ou, em outras palavras: o retorno à velha estratégia das tesouras, revezando entre o socialismo bolivariano do PT e o socialismo fabiano do tucanato. 

A notícia recente sobre um suposto relacionamento entre Flávio e Vorcaro, gerou uma série de movimentações por parte de liberais que vieram publicamente pedir para que Zema — um candidato desprovido de identidade política e que finge engajamento em um combate institucional contra a Suprema Corte — assumisse o posto de protagonista contra Lula.

Em uma tentativa clara de assumir o monopólio da oposição, os liberais tentaram naufragar a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro transformando um mal-entendido em uma crise de proporções escatológicas, um apocalipse.

A tragicomédia dessa pretensa oposição reside na sua leitura de que o empecilho para sua popularidade está no bolsonarismo e não na essência tecnocrática e ostensivamente apolítica. O liberal brasileiro alimenta a ilusão de que, tirando o bolsonarismo da arena pública, atrairá para si toda a popularidade que jamais teve.

No vocabulário psicótico imposto pela hegemonia esquerdista, com a anuência bovina dos liberais, ser “de direita” passou a significar apenas a preferência por um intervencionismo estatal um pouco mais higienizado, polido até, enquanto se cede todo o território da moral, da cultura e da educação aos engenheiros sociais neomarxistas.

O mecanismo dessa fraude é perverso e autoevidente: o consórcio midiático e acadêmico demoniza a autêntica militância conservadora sob o rótulo de “extremismo”. Aterrorizada ante a simples possibilidade de ser malvista pelos formadores de opinião, a direita tucanizada apressa-se em vestir seu uniforme cheiroso, renegando os valores do povo e ajudando a esquerda a achincalhar a verdadeira direita politizada. Eles ganham a estampa de civilizados; a esquerda ganha o poder absoluto; e o povo, atônito, aceita o engodo porque foi destituído dos meios verbais, institucionais e políticos de autodefesa.E é essa direita, viciada em perder, que quer deter o monopólio da oposição. Um grupo político que prefere a derrota e a destruição à conexão com o povo.

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