Quem realmente dita as regras quando o comércio se transforma em arma de guerra? Testemunhamos a fratura irreversível do sistema internacional: toda a infraestrutura da globalização está em processo de retração, e o mundo já não quer depender de poucos fornecedores.
A guerra irrestrita reconfigura as cadeias de abastecimento globais. Ao mesmo tempo, vivenciamos uma nova Guerra Fria focada estritamente na segurança logística e tecnológica, na qual Estados e blocos buscam construir sua soberania utilizando múltiplos fornecedores de produtos e matérias-primas. Além de fornecedores, não poderia também o poder industrial determinar os vencedores reais deste conflito estrutural no processo de desglobalização?
Fica evidente o erro dos Estados Unidos durante o processo de globalização: abrir mão da própria manufatura, entregando a hegemonia produtiva e a vantagem competitiva para a Ásia.