
Publicado em 08 de Maio de 2026
O tão aguardado encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump na Casa Branca, nesta quinta-feira (7), acabou sendo exatamente o que os céticos previam: um exercício bem ensaiado para ganhar tempo, com pouco resultado prático e muito espetáculo para consumo interno. A ausência de uma coletiva de imprensa conjunta — algo corriqueiro em visitas desse tipo — e o cancelamento das declarações no Salão Oval já entregou o jogo. Quando falta palco compartilhado, sobra ruído nos bastidores e escassez de resultados concretos.
Trump, fiel ao estilo direto, resumiu tudo numa postagem: reunião “muito boa”, Lula “dinâmico” e promessas vagas de discutir tarifas e comércio no futuro. Traduzindo o “americanês”: nada foi fechado. Do lado brasileiro, o script foi o de sempre — platitudes e otimismo controlado. Na coletiva na Embaixada, Lula saiu “satisfeito”, falou em “ausência de tabus”, propôs grupos de trabalho sobre taxação e entregou um pedido para rever o cancelamento de vistos de autoridades brasileiras. Seus ministros seguiram o mesmo roteiro: cooperação, minerais críticos, soberania preservada.
O problema é que já vimos esse filme. O mesmo otimismo surgiu na Malásia em outubro de 2025 e na ONU em Nova York. Lula celebrou a “química” e previu acordos rápidos. Meses depois, as tarifas americanas — impostas no ano passado, em parte como reação à perseguição judicial contra Bolsonaro — continuam.
A diplomacia lulista se especializou em transformar reuniões em agendas para… marcar novas reuniões.
A fragilidade aparece nas contradições. Lula posa de defensor da soberania, mas viaja a Washington para negociar tarifas impostas justamente por questões que o governo brasileiro considera “internas” — como o tratamento dado a Bolsonaro e seus aliados. Fala em democracia e combate ao crime organizado, mas reluta em aceitar classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, o que limita uma cooperação mais profunda com os EUA em inteligência e extradições. Oferece até “conselhos” sobre a guerra no Irã.
Para a militância, o tom é de resistência anti-imperialista. Para o mercado e os aliados moderados, mostra “pragmatismo”. Na prática, é uma retórica dual que não convence nenhum dos dois lados. Trump joga com interesses claros e poder duro: tarifas como ferramenta de pressão, alinhamento ideológico e reciprocidade comercial.
Enquanto isso, o Brasil segue refém da narrativa petista. Prioriza gestos e fotos (o aperto de mão cordial) em detrimento de ações internas que realmente atraiam uma verdadeira cooperação com o governo americano. O resultado disso é apenas um adiamento do confronto com a realidade. As exportações brasileiras seguem vulneráveis, a imagem internacional do governo fica atrelada à instabilidade política interna e a “vitória diplomática” se resume a não piorar as coisas — por enquanto.
Essa cúpula sem holofotes não foi um triunfo. Foi o clássico lulismo: transformar necessidade em narrativa de sucesso. Enquanto Trump segue jogando com as cartas que tem, o Brasil se contenta com promessas de “diálogo maduro”. No fim, a arte de não entregar nada, travestida de estratégia brilhante. Talvez Lula não tenha gostado do que ouviu, talvez não tenha falado sobre tudo o que foi tratado. De prático, mais do mesmo: reuniões para marcar novas reuniões.