
A maior crise institucional desde a constituinte de 1988 não foi a muito questionável tentativa de golpe de Bolsonaro — é loucura pura e simples cogitar que houve intentona de golpe de Estado, só pessoas sob transe ideológico ou muito bem pagas afirmam isso —, mas a descoberta do modus operandi do PT sob o presidencialismo de coalizão, o então chamado pela mídia “chique” de mensalão.
As revistas Veja, Época, e demais publicações de grife que marcaram presença em consultórios médicos, odontológicos e cabeleireiros, eram expostas nas bancas de jornais com manchetes sobre o mensalão.
O maior esquema de compras de votos e consciências da história do país estava exposto para toda a classe média — ou qualquer pessoa letrada o suficiente para entender a gravidade desse problema —, o que deveria ter chutado o partido dos trabalhadores do poder.
A gravidade do caso deveria ter movido as instituições em peso – não fosse a militância do PT em todas as redações de jornais, a presença em todas as mídias, em instituições de, em incontáveis sindicatos e associações.
Vimos desde professores de ensino fundamental, até jornalistas de redação das maiores empresas de comunicação do Brasil, defendendo a tolerância, o perdão e a compreensão diante da corrupção sistemática promovida pelo PT.
Criou-se o consenso de que socialistas cometem crimes em nome do bem social, que Lula comprou o parlamento para aprovar reformas sociais ousadas e benéficas para o país.
Hoje o socialismo é sinônimo de idealismo utópico, é o grupo de sonhadores que quer construir um mundo melhor apesar das circunstâncias. Nada mais psicótico. O socialismo nada mais é do que monopólio dos meios políticos e econômicos, centralizados nas mãos de um único agente social, um único grupo político. Qualquer um que venha a almejar ser detentor desse poder, tem um desprezo pela dignidade e liberdade humana, e está tomado de um desejo de dominar totalmente a humanidade.
O debate público, dominado por uma classe falante formada de liberais fabianos e socialistas, trata como barbárie, coisa da “extrema direita”, qualquer posição contrária ao consenso desses trombeteiros.
O termo extrema direita não quer dizer nada, não há nenhuma relação com a realidade. O termo serve apenas como rótulo para quem está fora do consenso da classe falante, é apenas uma manifestação da neurose coletiva do establishment brasileiro.
Hoje em dia, para ser carimbado como tal, basta ser contra o aborto ou o casamento gay. Basta achar que o Foro de São Paulo existe e é perigoso. Basta achar que bandidos deviam ficar na cadeia para não cometerem mais crimes. Se você incorre em qualquer desses “pecados mortais” — ou exercita seu bom senso —, lá vem o rótulo infamante, como a marca de um escravo fujão ou ferrete de gado. E não vem por via de nenhum jornaleco de partido, de nenhum panfleto petista. Vem pela Folha de São Paulo, pelo Globo, pelo Estadão, pelo jornal Valor – os órgãos da burguesia reacionária, segundo o PT ou PCO.
Conclusão: a esquerda radical conseguiu impor à grande mídia a sua aberração ideológica e o correspondente vocabulário – agora aceitos como opinião centrista, equilibrada, mainstream, enquanto as opiniões que eram da própria grande mídia nos anos oitenta e noventa já não podem ser exibidas porque se tornaram politicamente incorretas.
Será extremismo de direita concluir que o eixo, o centro, se deslocou vertiginosamente para a esquerda, criminalizando tudo o que esteja à direita dele próprio? Será extremismo de direita concluir que a única direita admitida como decente na mídia chique é o fabianismo tucano – abortista, gayzista, quotista racial, desarmamentista, politicamente corretíssimo, liberal, quando não abertamente anticristão?
Será extremismo de direita entender que esse fenômeno é a manifestação literal e exata da hegemonia tal como definida por Antonio Gramsci?
Essa psicose da elite brasileira é a causa não apenas do império do crime organizado no Brasil. Uma terra desconexa da realidade terrestre, porque abraçou e normalizou a loucura de uma elite incapaz, é um outro planeta.
Resumo da ópera: a Lava Jato descobriu inúmeras tramóias impensáveis nos tribunais superiores, no BNDES, nas autarquias, nas estatais, no legislativo, etc.
Bolsonaro tentou enfrentar o sistema, mas esbarrou nas rachadinhas do Flávio. Aí se viu obrigado a abrir as pernas para o STF (Dias Tóffoli), para livrar o filho da cadeia. Deu no que deu.