Publicado em 27 de Agosto de 2025
No teatro da política nacional, o “centrismo” e o “liberalismo” são apenas objetos de cena. Figuras públicas que se dizem de centro — como Pedro Doria, Tabata Amaral, Reinaldo Azevedo e Michel Temer — não demonstram preocupação com direitos fundamentais ou com a cidadania. Eles querem, na verdade, impor sua visão de mundo, usando palavras como “centro”, “democracia” e “direitos humanos” como entorpecentes para tranquilizar o público. Posam de adultos sensatos em meio a crianças mimadas, tentando inspirar confiança sem conteúdo ideológico. Essa pose é a única substância dessa gente.
Essa falta de essência permite que suas conexões com o mercado, think tanks e ONGs internacionais sejam facilmente disfarçadas. Eles dizem querer ajudar a sociedade, mas a agenda que defendem já vem pronta, sem consulta popular. No fundo, têm vergonha de assumir quem realmente são. A realidade de um país desigual, onde essa classe dominante vive em um mundo paralelo bancado pelo povo, machuca a narrativa de quem trabalha apenas com manipulação. É mais fácil se vender como um salvador neutro do que admitir que defendem os interesses de um grupo que se beneficia do sistema.
Essa dinâmica lembra o diagnóstico de Raymundo Faoro em seu livro “Os Donos do Poder”, que descreve um “Estado patrimonial” no Brasil. Nele, uma pequena elite vive próxima ao poder público, impedindo a ascensão de quem não faz parte do grupo.
Ao chamar Jair Bolsonaro de “febre” em sua coluna no O Globo, um veículo alinhado ao establishment, Pedro Doria não está fazendo uma análise neutra. Ele tenta deslegitimar Bolsonaro, tratando-o como uma anomalia. De fato, para o sistema atual, Bolsonaro é uma anomalia. Um indivíduo de fora da elite que consegue se comunicar diretamente com o povo não deveria, em tese, ter sucesso. A cabeça desses “pensadores” fica confusa ao ver uma pessoa que está presa, sem poder se comunicar nas redes sociais, consegue levar milhões de pessoas às ruas. Eles simplesmente não sabem o que fazer.
A ascensão de Bolsonaro é uma afronta às instituições que, na visão desses grupos, deveriam funcionar contra a vontade da maioria. O ideal deles é que as decisões venham sempre de cima para baixo, tomadas em círculos fechados, longe do olhar do povo.
A reação popular que elegeu Bolsonaro não é uma “febre”. É a resposta natural de quem cansou de ser explorado e escolheu um líder para expressar seus valores e aspirações. Ao tentar desqualificá-lo, a elite brasileira mostra seu medo da participação popular. Pedro Doria não é um analista neutro, mas um funcionário dos “donos do poder” com saudade de um tempo em que as massas eram politicamente bestializadas, sem voz. Eles querem um Brasil onde possam agir sem precisar se justificar. A “febre” Bolsonaro, na verdade, é o sintoma de que eles perderam o controle sobre a narrativa e a manutenção do poder.
É nesse ponto que a vergonha de assumir quem são se manifesta. Eles não podem dizer abertamente: “queremos que as coisas voltem a ser como antes de Bolsonaro entrar no coração e na mente de grande parte do povo brasileiro. Queremos o poder em nossas mãos e que o povo volte a ser mero espectador”. Em vez disso, criam um discurso vazio, de “democracia” sem substância e de “direitos humanos” seletivos. É a máscara de quem vive de privilégios, que se espanta com a possibilidade de ser confrontada pela realidade de um país que se cansou de discursos bem comportados, de pagar a conta dessa elite usurpadora.