
A decisão unânime da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de tornar Jair Bolsonaro réu por suposta tentativa de golpe de Estado não surpreende ninguém. É um julgamento político com verniz de justiça, carregado de conveniência. O STF, mais uma vez, assume o centro do palco em um roteiro onde a democracia parece um pano de fundo, esquecido em alguma gaveta.
A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), aceita com rapidez notável, aponta Bolsonaro como líder de uma “organização criminosa” a fim de derrubar o Estado Democrático de Direito. As evidências? Delações premiadas, vídeos e uma narrativa que, sem o filtro ideológico, não se sustenta. O ex-ajudante de ordens, agora delator, é a peça-chave – alguém que, sob pressão, entregou a versão que o sistema queria ouvir. A delação, antes criticada por muitos, tornou-se a base de um processo que sugere parcialidade e está longe do equilíbrio.
Os crimes listados — tentativa de golpe, abolição da democracia, organização criminosa — seriam graves, se houvesse provas consistentes. Cadê o golpe? Bolsonaro estava fora do Brasil em 8 de janeiro de 2023 quando milhares de patriotas foram apenas figurantes inocentes em um cenário explorado por alguns vândalos. Teria ele planejado tudo à distância? Seria o primeiro golpe EAD da história. Enquanto isso, o Judiciário, que já deixou casos realmente sérios mofando em gavetas, agora age com uma pressa seletiva contra o ex-presidente.
O timing da decisão reforça as suspeitas. Tornar Bolsonaro réu em 2025 parece uma manobra para eliminá-lo do cenário político antes de 2026. Já inelegível até 2030 por decisão do TSE, ele agora enfrenta um processo que vai além da política e entra no terreno do ajuste de contas. O roteiro do próximo ato dessa tragicomédia já é conhecido: trechos de depoimentos convenientes ao sistema vão inundar a imprensa com a mesma velocidade com que as 1,5 milhão de inserções de Bolsonaro na campanha eleitoral sumiram sem uma explicação convincente. Isso não é sobre justiça; é sobre neutralizar um adversário. O STF, com essa postura, deixa claro que quem desafiar o establishment será alvo, mesmo que isso custe a credibilidade das instituições.
O processo é uma encenação farsesca. A Corte, com votos alinhados, segue uma trama que despreza dúvidas e privilegia uma conclusão conveniente. Não refere-se apenas ao 8 de janeiro ou de proteger a democracia — refere-se ao poder. Num momento em que o governo atual, principal beneficiado pela condenação de Bolsonaro, enfrenta alta impopularidade, silenciar a oposição vira prioridade. E o STF assume este papel sem hesitação. Bolsonaro pode ter seus erros, mas acusá-lo de golpe com base no que foi apresentado passa longe de uma busca pela verdade.
O resultado é preocupante: o tribunal transformou-se em ferramenta política. A democracia, que deveria ter o povo como protagonista, fica relegada a um canto, enquanto decisões servem a interesses específicos. Bolsonaro réu é apenas o ato do momento. O precedente está aberto – amanhã pode ser qualquer um que ouse enfrentar o sistema. Assim, entre denúncias e sentenças, o Brasil assiste a um jogo onde a justiça é coadjuvante e o poder pelo poder toma o palco principal.