A queda do BTG e o custo da proximidade com o poder

Publicado em 24 de Agosto de 2025

Quem ainda achava que a crise política e institucional do Brasil era apenas “ruído”, agora tem um prejuízo bilionário para reconsiderar. Em apenas uma semana, o setor bancário do país viu R$ 5 bilhões evaporarem. O terremoto, que muitos teimavam em ignorar, finalmente abalou em cheio a estrutura do coração financeiro de São Paulo.

Com uma queda de 2,8% em suas ações, o BTG Pactual sentiu o golpe de forma brutal. O motivo não é um mistério do mercado, mas a cobrança mais dura pela sua estreita relação com o poder. O banco, visto como o mais próximo do governo, pagou o preço por uma manobra política irresponsável: a decisão de um ministro de usar sua caneta para proteger um colega. Na tentativa de evitar o inevitável, esse movimento enviou um sinal devastador aos investidores estrangeiros, os principais clientes do BTG.

O que essa crise escancara é uma verdade que a Faria Lima insistiu em ignorar por muito tempo. A proximidade com o poder, que traz vantagens e influência, é uma faca de dois gumes. O que antes parecia um escudo se mostrou uma exposição de risco gigantesca. O prejuízo bilionário é a prova de que a política não é um jogo que se assiste da plateia.

O mercado, que tem seus próprios códigos, está mandando um recado claro: a omissão e a crença de que a bagunça em Brasília não afetaria a economia foram um erro. O terremoto chegou, está causando estragos em todos os setores e não vai poupar ninguém.

A conta dessa instabilidade chegou no quadrilátero financeiro mais famoso do Brasil. O BTG e os demais bancos sangraram por uma atitude irresponsável e pela cumplicidade em um jogo que a cada dia se torna mais perigoso. Será que a Faria Lima finalmente entendeu que o único caminho para a estabilidade passa, primeiro, por assumir que a crise é estrutural e exige que toda a influência deve ser usada para fazer a única coisa que pode resolver o problema? 

Ser amigo do Rei tem o bônus, tem suas vantagens. Mas quando o Rei está nu, o ônus pode ser gigante e, nesse caso, bilionário.

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