A crise furou a bolha e a Faria Lima precisa agir

Publicado em 21 de Agosto de 2025

Será que agora a ficha da elite financeira caiu? A decisão de um ministro para proteger outro foi um terremoto que sacudiu as estruturas do mercado financeiro brasileiro. Para os bancos, o prejuízo em um único dia foi de cerca de R$ 40 bilhões. Uma perda que poderia ter sido evitada. A confiança depositada no “jeitinho” brasileiro e em sua tábua de salvação, o famigerado Centrão, mostrou cara. Com sua eterna busca por poder e privilégios, o Centrão demonstra mais uma vez que seu único compromisso é com a própria sobrevivência, e não com a estabilidade do país. O resultado? Prejuízos enormes, insegurança jurídica e a realidade que há muito tempo a Faria Lima se recusava a enxergar.

A crise atual não é apenas política ou econômica; é uma crise institucional. Os reflexos que antes eram apenas uma possibilidade, agora são uma realidade dura e inegável.

A dor no bolso e a insegurança que a elite financeira sente agora, é a mesma que o povo brasileiro sente há anos. A incerteza sobre o futuro, a falta de previsibilidade e a sensação de que as regras do jogo podem mudar a qualquer momento são problemas que, até agora, pareciam distantes para a Faria Lima.

Talvez este choque de realidade seja o catalisador necessário para que o mercado financeiro entenda que sua única saída é lutar pela estabilidade ao lado da população. Passou da hora de reler a carta de Trump com a devida atenção. Todos os motivos da taxação e das sanções dos EUA estão muito claros alí. Também passou da hora de esperar uma solução vinda do Centrão, é preciso pressionar para que a anistia seja votada. Em vez de esperar por um “favor” de um grupo que só age por interesse próprio, pensando nas próximas eleições e no financiamento de suas campanhas, a Faria Lima precisa usar sua voz e seu poder de influência para defender a democracia. Até mesmo porque em 2026 esses mesmos políticos baterão à porta do mercado pedindo “contribuições”. Mas, antes, eles precisam entender que se não agirem agora, 2026 pode ser tarde demais.

A oportunidade de pensar além do lucro imediato e de contribuir para a salvação de um país que está indo para o buraco é agora. Um ambiente de negócios saudável e lucrativo só pode prosperar em uma sociedade justa e com instituições que respeitem seus limites de ação e a Constituição.

A elite financeira não pode mais se dar ao luxo de ser uma mera espectadora. É hora de agir e lutar por um país onde a lei seja para todos, a democracia seja respeitada e a estabilidade não seja uma moeda de troca. O destino do Brasil depende, em parte, da capacidade da elite de entender que seu próprio futuro está intrinsecamente ligado ao bem-estar de toda a sociedade. A estabilidade do mercado depende diretamente da estabilidade do Brasil. Não dá para ter o primeiro sem o segundo. A bolha do mercado financeiro fica no mesmo país que da Dona Maria, do Seu João e de tantos outros milhões de brasileiros que não tem voz e têm suas vidas impactadas diariamente pela destruição do Brasil.

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