A economia mundial já mudou de eixo — só esqueceram de avisar o Brasil. Enquanto a Ásia-Pacífico acumula 60% do PIB global e 66% de todo o crescimento mundial, o Brasil aprova um Plano Nacional de Educação que institucionaliza a mediocridade, criminaliza a energia nuclear e trata o debate sobre reindustrialização como um fetiche desenvolvimentista de maus economistas. Na outra ponta, a Europa afunda em endividamento, escassez industrial e dependência energética. E, no centro desse impasse, está o país que já foi uma promessa e hoje é um satélite desconectado do jogo estratégico global.
A região da Ásia-Pacífico não é mais um vetor promissor — é realidade consolidada. São 17 países que vão do Japão ao Vietnã, da Coreia do Sul à Indonésia, que formam o bloco mais dinâmico do planeta. Eles concentram os principais portos do mundo, ditam regras de comércio, impõem padrões tecnológicos e, agora, articulam suas próprias redes de infraestrutura, telecomunicações e segurança energética. São eles que produzem, consomem, crescem, inovam. São eles que reordenam as cadeias globais de valor, substituindo a dependência da exportação para fora por mercados internos robustos.
Enquanto isso, o Brasil… discute regulação de rede social e criminalização do negacionismo climático. Falta engenheiro, falta matemático, falta uma geração minimamente capacitada para competir com os 800 milhões de millennials asiáticos que já acreditam — com razão — que viverão melhor que seus pais. No Brasil, nossos jovens já se acostumaram com a ideia contrária. O país está sendo amestrado para viver sem ambição: nem militar, nem econômica, nem educacional. Uma nação zonada, com baixa densidade produtiva e alto índice de capitulação moral.
Do outro lado do Atlântico, a Europa vive um pesadelo que ela mesma fabricou. Recessão, inflação, energia cara, moeda artificialmente valorizada, tecnocracia suicida. A Alemanha caminha para perder sua base industrial. A França simula protagonismo geopolítico enquanto disputa contratos de trem com os chineses no Vietnã. A União Europeia virou um monumento ao burocratismo neoliberal: um império de papel, sustentado por tratados, ONGs e dogmas contábeis. E mesmo assim, diante da bancarrota, ainda exige que o Brasil se submeta a travas ambientais que ela própria não respeita quando lhe convém.
A ironia é que o crescimento asiático não se deu por meio de um “livre mercado” idealizado. Deu-se por meio de políticas industriais articuladas, uso estratégico do Estado, controle sobre fluxos financeiros e uma elite que, ao contrário da brasileira, não se envergonha de pensar o país como projeto de poder. A ASEAN, que reúne 10 dessas nações do Sudeste Asiático, lançou um plano de integração regional (ACV 2045) com metas claras, pilares de segurança, conectividade e soberania. E o Brasil? O Brasil celebra reforma tributária feita sob medida para arrecadar mais de quem produz menos.
O resultado está escancarado: a poupança do mundo está na Ásia, a dívida no Ocidente. O otimismo do futuro está no Pacífico; a melancolia do fim da linha, no Atlântico. E o Brasil, em vez de se alinhar à lógica da reconstrução soberana, ainda prefere flertar com agendas que garantem sua obsolescência. A industrialização não passa retórica vazia. A política externa virou diplomacia de palanque. E a educação virou cartilha ideológica. Se há um projeto em curso, é o de nos manter no papel de consumidor passivo, de colônia verde e de eterno devedor.
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