Uma revolta justa?

Publicado em 19 de Setembro de 2026

É tragicômica a forma como o bolsonarismo foi tratado pela mídia, pelas instituições e por parte da sociedade civil. O movimento foi tratado como um princípio de instalação de barbárie, um primeiro sintoma do colapso do Brasil, quando, na verdade, era uma reação à invasão vertical dos bárbaros e à lumpemproletarização promovida pelo petismo. 

A elite brasileira, que foi muito bem domesticada pela estratégia gramsciana de hegemonia cultural – posta em prática durante o regime militar –, jamais conseguiu relacionar os males que afetavam o Brasil com as políticas da agenda petista. Não perceberam que o laxismo penal e a impunidade de criminosos estavam causando o aumento da criminalidade, e que o aumento de impostos e as altas taxas de juros estavam sufocando o setor produtivo e degradando postos de emprego, enquanto desindustrializavam a nação.

E, por isso, a reação radical ao petismo e a revolta contra essa barbárie pode dar a impressão de radicalismo injustificado, extremismo de quem quer promover uma revolução sangrenta em vez do desejo de restabelecer a ordem.

A elite que os legitimou no poder — à força de mentiras e desconversas — encontra, agora, a própria criação voltada contra si. Sempre de joelhos ante as modas estrangeiras mais idiotas, manipulada por intelectuais ativistas que, a despeito da mediocridade, deslumbraram mentes ainda mais medíocres, a casa de máquinas da comunicação do establishment pôs formidáveis recursos a serviço de uma “revolução cultural” cuja existência ignorava — e que, aliás, foi concebida precisamente para ser levada a cabo por idiotas úteis que a ignoravam.

Não se trata de conquistar corações e mentes. Trata-se de fazer com que todos sejam socialistas sem sabê-lo; de dominar o senso comum a tal ponto que massas inteiras repitam chavões e slogans sem a menor ideia da origem nem da função em um plano estratégico de conjunto. A diferença entre o antigo militante proletário conquistado para a causa e o moderno servidor da revolução cultural basta para ilustrar a elasticidade psicopática da mente revolucionária — sempre pronta a trocar atitude, discurso e valores cada vez que isso aumente o poder. 

O primeiro decorava manuais, era hipersensível ao menor desvio da ortodoxia e proclamava orgulhosamente a condição de comunista militante, sacrificando bens, vida, honra e liberdade pela causa.

Não por coincidência, mas por cálculo psicológico preciso, cada nova regra “politicamente correta” que se incorpora aos hábitos sociais perde de imediato a aparência comunista originária. Os milhões submetidos à sua jurisdição sentem-se cada vez mais distantes do perigo comunista quanto mais se adaptam ao tipo de cultura revolucionária desenhada para operar por infiltração. É a autoridade invisível e onipresente do Partido-Príncipe. Nunca a palavra “subversão” descreveu tão adequadamente uma estratégia: a inversão desde baixo — a invasão vertical dos bárbaros.   Ora, e como se espera que o cidadão comum reaja diante desse cenário de devastação em que tudo o que é amável está em risco?

A insegurança diante do crime organizado hipertrofiado é praticamente onipresente, comum a quase todos os brasileiros.

A economia nacional foi precarizada, e o trabalho já não parece remunerar com justiça profissionais dedicados. E a reação diante dessa barbárie e destruição não é justa? Não deveria ser igualmente enérgica e radical, tal qual o avanço dos bárbaros petistas? 

A reação daqueles que querem o fim da barbárie não pode ser confundida com a dos revolucionários que pretendem tomar o poder. Não se trata de golpes de Estado nem de ideologias extremistas; é uma tentativa de restabelecer a ordem.

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