
Publicado em 08 de Setembro de 2026
O 7 de Setembro deixou duas imagens do Brasil. Nenhuma precisa de maquiagem. Em uma delas, um presidente sem povo, na outra um povo que quer outro presidente.
Na Esplanada dos Ministérios, Lula apareceu cercado pela máquina pública: tribuna oficial, ministros, chefes de Poder, tropas, Esquadrilha da Fumaça e uma cerimônia montada. Era o Estado produzindo a imagem de autoridade para um presidente cada vez mais distante da rua. Até um robô apareceu para bater continência. Simbólico.
Na Avenida Paulista, a cena era outra. Gente enfrentando o frio e chuva para protestar contra Lula e Alexandre de Moraes, apoiar André Mendonça e o principal candidato da oposição, Flávio Bolsonaro. Não havia lugar reservado nem protocolo oficial. Quem estava lá decidiu sair de casa e ocupar a avenida.
Flávio não inventou a indignação vista ali. Encontrou uma força popular que já existia e continua disposta a ocupar o espaço público. Também não foi apenas mais um nome no palanque. Ao representar aquele sentimento, mostrou que começa a transformar o peso de seu sobrenome em liderança própria.
O ato confirmou que a oposição popular continua viva, apesar das tentativas do governo de tratá-la como bolha ou radicalismo. Bolhas não atravessam cidades, enfrentam frio e voltam às ruas. Ali existe um eleitorado real, decidido a mostrar que não aceita o país conduzido por Lula, judiciário e protegido pelo ambiente político de Brasília e por parte da imprensa.
Político pode convocar manifestação, mas não consegue fabricar disposição popular.
Lula enfrenta justamente essa dificuldade. Tem a Presidência, ministros, partidos aliados, sindicatos e movimentos organizados. Conta com proteção política e institucional. Tem a máquina. Mesmo assim, não produz nas ruas uma demonstração espontânea de apoio comparável à força vista na avenida Paulista.
Lula tem governo, cargo, palanque e cerimônia. O que não tem é povo visível ao seu lado. Quando aparece em algum evento com público, o PT recorre a planos fechados para passar a imagem de lotação. Logo surgem imagens de drones revelando os fiascos.
O contraste das manifestações do 7 de Setembro se torna ainda mais incômodo diante do momento político. O caso Master envolveu autoridades em suspeitas e desgastes. Alexandre de Moraes virou símbolo de um poder que parte do país considera sem limites. A proximidade entre o governo e setores do Supremo deixou de ser assunto de bastidores.
Nesse cenário, a presença de Edson Fachin ao lado de Lula — que poderia ser vista como formalidade institucional — tornou-se o retrato de um sistema reunido em torno do próprio poder.
Enquanto Brasília tenta se fechar ao redor do presidente, a Paulista responde na avenida.
O governo controla o protocolo, escolhe convidados, monta a tribuna e organiza o espetáculo oficial, mas, Lula, longe da proteção do aparato estatal, parece cada vez mais isolado da mobilização popular.
No 7 de Setembro, Lula teve a máquina. Flávio Bolsonaro teve o povo na avenida.
Flávio carrega um sobrenome que há anos mobiliza as ruas brasileiras. Mas já não vive apenas dele. Começa a construir sua própria liderança, reunindo quem se recusa a permanecer calado.
Essas foram as imagens do dia: de um lado, Lula cercado pelo poder e protegido pelo sistema; do outro, Flávio, herdeiro de um sobrenome que mobiliza multidões e cada vez mais capaz de liderá-las.
Uma avenida cheia não decide sozinha uma eleição. Mas revela onde está a energia que move as ruas e quem começa a liderá-la.