
Publicado em 07 de Agosto de 2026
A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Sem Desconto, sobre o escândalo do INSS, com 18 mandados de busca no Distrito Federal e no Maranhão para apurar lavagem de dinheiro. Entre os alvos estão parentes do senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo Lula no Senado – pouco tempo depois do antigo líder do governo, Jaques Wagner, também ser alvo da polícia.
O montante estimado é de R$ 6,3 bilhões, retirados em parcelas mensais de aposentadorias e pensões por filiações que ninguém autorizou. A PF já indiciou 48 pessoas, entre elas o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, que segundo os investigadores recebia até R$ 250 mil por mês. As vítimas preferenciais foram justamente os idosos de baixa renda, para quem o desconto era pequeno o suficiente para não ser notado. Mais uma vez o governo que se apresenta (agora e historicamente) como fiador dos pobres contruiu, dentro de sua própria autarquia, uma receita paga pelos mais vulneráveis do país.
O que agrava o episódio não é o volume, mas o local. O chefe de gabinete de Lula, Marcola – apelido de Marco Aurélio Santana Ribeiro -, é investigado por receber pagamentos de uma lobista investigada no caso e foi dispensado em 21 de julho. O filho do presidente responde a três inquéritos por tráfico de influência, abertos a partir do material apreendido com o Careca do INSS. O Sindnapi, cujo vice-presidente é seu irmão, descontou R$ 599,5 milhões em dez anos, 56% deles no atual mandato, e omitiu ao INSS o parentesco do dirigente com o chefe do Executivo. Todas essas coincidências se acumulam na porta do gabinete de Lula.
O ex-chefe de gabinete diz que se tratava de empréstimo pessoal já quitado, enquanto a lobista alega representação institucional regular. A defesa do filho do presidente fala em uso político-eleitoral das investigações. Todos esses julgamentos vão rolar em seu tempo, enquanto o governo do julgamento político, que é outra jurisdição, opera com outro padrão de prova. A CPMI encerrou os trabalhos sem votar relatório algum, mesmo depois de meses – ali a blindagem do governo funcionou.
Em 2005, o mensalão levou à condenação, pelo Supremo, do chefe da Casa Civil de Lula, do presidente do PT e de seu tesoureiro. Lula não foi réu e se disse traído e magoado. Em 2014, a Lava Jato alcançou a Petrobras e ele próprio, com condenações depois anuladas por incompetência do juízo, sem que o mérito voltasse a ser examinado. Em 2026, é o INSS. O entorno se repete, sempre os mesmos, e sempre pelos mesmos motivos. Ser traído por seus escolhidos três vezes em vinte anos deixa de ser infortúnio e passa a ser critério de seleção.
Mas há uma diferença importante desta vez: o mensalão foi desvio do orçamento publicitário, e a Lava Jato sangrou uma estatal. Agora a fonte foi o contracheque de quem recebe um salário mínimo por mês e não tinha como perceber a subtração. Como um “trickle down” inverso, a roubalheira já passou pelos setores mais abastados e agora vem se locupletar de quem menos tem: dos aposentados, pensionistas e daqueles que colocaram sua fé no futuro de um país nas mãos da esquerda. Essas são as verdadeiras vítimas de perseguição no Brasil do PT.