No programa de hoje, Lorenzo Carrasco e Arthur Machado discutem a crise global e o fim de uma era: o colapso do sistema liberal, da globalização dos anos 1990, do neoliberalismo tecnocrático e da fantasia de que o mercado sozinho organiza o mundo. A conversa passa por Ucrânia, Irã, petrodólar, Trump, China, Rússia, Europa e pela volta da economia como instrumento de soberania, segurança nacional e poder civilizacional.
A análise entra também na nova guerra dos capitalismos. Big Techs, inteligência artificial, dados, energia, satélites, meios de pagamento, terras raras e cartéis multissetoriais estão formando a infraestrutura invisível da economia mundial. O velho monopólio setorial está sendo substituído por hipermonopólios capazes de controlar a própria planície onde os mercados passam a existir. Enquanto isso, Brasil, Europa e Sul Global tentam descobrir se ainda terão projeto próprio ou se serão apenas áreas de influência de blocos maiores.
Para o Brasil, o alerta é direto: sem romper com rentismo, financeirização, cartéis bancários, dependência chinesa e ausência de projeto nacional, o país pode perder o novo ciclo histórico antes mesmo de entendê-lo. No fundo, a crise não é só econômica. É moral, espiritual e civilizacional. Um Ocidente que abandonou sua base cristã tenta liderar um mundo que já não o respeita e o Brasil precisa decidir se terá imaginação para sobreviver à troca das placas tectônicas.