
Publicado em 1º de Agosto de 2026
Nos Estados Unidos e em países da Europa, o controle do preço dos aluguéis voltou a ser discutido e está sendo implantado. Isso é mais grave do que parece. Segurar o aluguel pode ajudar quem já ocupa um imóvel, mas trata apenas o efeito. A causa continua intocada.
O verdadeiro problema é a perda do poder de compra da classe média. Junto com ela vieram a desindustrialização, a financeirização, o crédito difícil e os juros usados para transferir propriedade de quem trabalha para bancos, fundos, cartéis e monopólios. Sem recuperar a capacidade de produzir, investir e enriquecer, menos pessoas conseguirão comprar a própria casa. Não há controle de preço capaz de mudar isso.
É dessa insatisfação que surgem dois caminhos. Um defende reindustrialização, soberania econômica e fortalecimento da classe média para ampliar o acesso à propriedade. Esse caminho é difícil porque exige enfrentar interesses poderosos e mudar a direção da economia.
O outro prefere controlar o aluguel e tornar a população cada vez mais dependente de políticas permanentes, intervenção e planejamento tecnocrático. Aqui entram os modernistas: socialistas e, sim, liberais. Os socialistas oferecem a tutela do Estado. Os liberais aceitam a tutela de bancos, fundos e juros, desde que ela venha com o nome de mercado. Ambos evitam o problema que empobrece a população e afasta a classe média da propriedade.
Isso vai além da moradia. A história mostra que concentrações excessivas de poder econômico e cartéis podem preparar o terreno para regimes autoritários. Thurman Arnold responsabilizou os monopólios alemães por ajudar a criar a estrutura que levou Hitler ao poder. John Marshall Harlan advertiu, em 1911, para uma nova forma de servidão, produzida quando poucos indivíduos e corporações controlam os negócios de um país em benefício próprio.
As leis antitruste surgiram para enfrentar esse risco. Nunca foram um ataque à empresa, ao lucro ou à propriedade, mas uma defesa da sociedade contra grupos econômicos poderosos o bastante para controlar mercados, governos e instituições.
O Brasil enfrenta exatamente esse momento. Poucos indivíduos e corporações concentram negócios, crédito e acesso ao poder, enquanto a população convive com moradia cara, financiamento difícil e uma juventude distante do sonho da casa própria. Produzir ficou mais difícil. Para quem circula entre bancos, grandes empresas, governo e órgãos de controle, as portas continuam abertas.
O quadro se torna mais perigoso quando cartéis financeiros e dinheiro do crime organizado encontram proteção política ou judicial. Esses poderes não precisam assinar um pacto; basta que se protejam e avancem sobre as mesmas instituições. Forma-se uma estrutura pronta para o autoritarismo, com propriedade concentrada, aplicação seletiva da lei e uma sociedade cada vez menos capaz de reagir.
Estamos vendo o início de um autoritarismo judiciário-rentista. Enquanto as causas estruturais não forem enfrentadas, continuaremos apenas administrando as consequências. O controle de aluguéis é mais um capítulo dessa administração. O que virá depois, se os cartéis bancários e a concentração de poder forem mantidos, será pior.
Por isso PT, PSOL, PCB e Novo acabam farinha do mesmo saco. Uns querem o brasileiro dependente do Estado. O outro aceita que ele dependa dos bancos. A diferença está em quem administra o empobrecimento programado. A estrutura que o produz permanece intocada.